Cristiana Félix
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Cristiana Félix
Psicóloga
cris_felix10@hotmail.com

O divórcio e as diferentes faixas etárias

13 Março 2017

Na edição anterior foi abordada questão do divórcio e a forma como os pais lidam com a mesma e com os seus filhos. Neste momento esta temática torna-se dominante na medida em que existe uma grande quantidade de casos, no entanto, acaba por ser uma temática na qual prevalece uma grande quantidade de dúvidas na maioria das pessoas.

A forma como as crianças olham para o divórcio dos pais varia em função da sua faixa etária e em função da forma como vai sendo explicada às crianças.

Desde o nascimento até por volta dos 2 anos:

Inicialmente as crianças acabam por estar mais ligadas à mãe por uma questão de necessidades básicas como por exemplo a amamentação, no entanto, elas também sentem a presença ou a ausência no caso de existir um corte com a/o mãe/pai.

Neste período as alterações podem causar angústia e refletir-se nos padrões do sono e da alimentação. Nestes casos torna-se assim fundamental que os pais redobrem as atenções salientando o que realmente é importante para as crianças.

Por volta dos 2/3 anos acaba por ser um período caracterizado pelo desfralde das crianças, pelo que um divórcio nestes casos pode corresponder a grandes alterações nestas conquistas, assim como atraso em termos do processo da linguagem. Neste período torna-se assim fulcral que ambos os pais estabeleçam contacto com a criança, definindo em conjunto os limites e ao mesmo tempo promovendo a autonomia das crianças para que posteriormente comece a aprender a controlar-se.

Por volta dos 4 aos 5 anos:

Neste período as crianças são muito egocêntricas pelo que consideram que o divórcio é culpa sua dado que tudo o que acontece está relacionado com as suas atitudes. Torna-se assim fundamental neste período explicar que o divórcio é entre os pais e que a criança não tem qualquer culpa pela situação em que os pais estão.

Por volta dos 6 aos 12 anos:

Neste período as pessoas estão mais centradas na aprendizagem e deixam ser tão egocêntricos, no entanto ainda não sabem expressar-se relativamente ao divórcio, na maioria dos casos acreditam que os pais ainda vão voltar a reconciliar-se. Manter o contacto entre os pais e a escola torna-se fundamental para a compreensão do processo de divórcio e ao mesmo tempo para a compreensão de que os pais não vão voltar a ser um casal, contudo vão continuar a ama-lo como sempre fizeram até agora.

Na adolescência:

Consiste num período em que os jovens criam a sua própria identidades e precisam de sentir-se seguros face a sua situação familiar. Neste período torna-se fundamental definir um conjunto de limites que são impostos quer na casa da mãe quer na casa do pai. É importante definir a questão da segurança.

Em suma, o fundamental é que em cada um dos períodos da criança/adolescente a segurança e as necessidades básicas nunca sejam descuidadas de modo a que a criança tenha um desenvolvimento saudável.

 

 


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