Caminhos de Ferro
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Domingos Costa
Colaborador
domingoscunhacosta@gmail.com

Os Caminhos de Ferro (Número 18)

30 Março 2017

A (1) 30 de Outubro de 1857, concluído o primeiro ano de serviço dos caminhos-de-ferro de Leste, foi realizado um balanço rigoroso sobre a sua exploração, entre “Lisboa e Carregado”. O resultado foi considerado e olhado com orgulhoso otimismo. Porque, o aumento de passageiros era claramente considerável. Sendo ainda, importante assinalar, que o caminho-de-ferro tem um trabalho composto, em que os “gastos gerais e fixos” são grandes.

Embora a linha férrea se encontrasse pronta para a circulação de comboios de passageiros e de mercadorias, este balanço, apenas se refere, a passageiros. Porque, a empresa, aguardava encomenda de material circulante de mercadorias – requisitada à Inglaterra.

Na infraestrutura ferroviária, designadamente a via-férrea, um dos elementos que a constitui são as travessas, pois suportam todo o peso, – em movimento ou parado – dos comboios, têm portanto, papel preponderante sobre a segurança na circulação de comboios.

O Governo, no sentido de minimizar custos, optou por comprar travessas de pinho sem tratamento que lhe proporcionasse robustez, e obviamente, mais durabilidade. Ao verificarem que, por média, essas travessas só duravam entre 2 a 3 anos, então, a partir desse momento, passaram a comprar e aplicar travessas com tratamento de sulfato de cobre. Ora, com esse tratamento implementado, foi notória a melhoria quanto à duração das travessas na linha.

Ainda sobre a via e sua bitola métrica, considero pertinente anunciar ao estimado leitor, que, a distância entre as arestas internas dos carris no início do caminho-de-fero era de 1,44 centímetros.

Como nota importante, (2) destaco que entre Lisboa e as Virtudes, na extensão de 50 Km, foram construídas 41 pontes de diferentes tamanhos; 2 pequenos túneis; 184 aquedutos e canos. Também se contam 21 pontes com tabuleiros de madeira; a de Verdelha abateu a 15 de Novembro de 1858. Esta, e as restantes, – gradualmente – foram substituídas por ferro.

Relativamente a passagens de nível, (2) foram construídas 113, sendo 48 de serventia pública e 65 uso particular. Continuando nos pormenores, refiro que, neste percurso de linha, existiam 114 guardas de polícia de via-férrea, ou seja, aproximadamente, três guardas por quilómetro. Comparativamente a cantoneiros na conservação da linha férrea, foram admitidos 240, correspondendo 6,6 por quilómetro.

O exagerado número de guardas de polícia, referido no parágrafo anterior, deve-se, sobretudo, há falta de disciplina dos pastores. Eles desrespeitavam no seu todo a lei, por sua vez os campos do Ribatejo eram amplos, e desprovidos de qualquer vedação. Por conseguinte, os pastores, ao serem senhores absolutos da livre circulação, não permitiam ficarem inibidos de pastorear livremente o seu gado.

Porém, o reino de Portugal e a Companhia dos Caminhos-de Ferro, como empresa de bem, ao temer acidentes com as manadas; tudo fez, para evitar que eles ocorressem; pois poderiam causar resultados claramente gravosos. O número de polícias só diminui, por uma forte campanha de sensibilização à sociedade civil, como também, com a vedação da via-férrea.

(1) Pág. 173 a 176 do livro Boletim do Ministério das Obras Públicas Comercio e Industria
(2) Pág. 267 a 269 de do livro Compilação de Diversos Documentos de 1844 a 1860.
PS:Fotografias do arquivo da (CP)


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