Domingos Costa
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Domingos Costa
Colaborador
domingoscunhacosta@gmail.com

Os Caminhos de Ferro (Número 19)

4 Abril 2017

Em sequência do artigo anterior, adianto que sucedeu o mesmo com os cantoneiros de conservação. De início, houve necessidade de recrutar esse elevado número, porque, a linha férrea, a todo o momento necessitava de ser recalcada, dependendo do tempo e dos comboios a circular, por isso, gradualmente a prestação de serviços diminuía. Com estes contratempos, o custo de manutenção também motivou a mesma diminuição.

 

 

Achei interessante descrever estes pormenores, porque, é fundamental ter presente que há 160 anos, a cultura no campo civilizacional era obviamente limitada; e, muito em particular, neste domínio.

Relembro também, que os comboios, para muitas pessoas representava um intruso que estava a meter-se na vida delas. Era uma coisa nova. Má. Intromissora. E, o cidadão comum, estava habituado a livre circulação.

 

 

Direi de seguida, haver perfeita noção, (1) que quando qualquer empresa, já tem alguma experiencia, é notório o progresso dos trabalhos na construção da via; tanto que, (2) a 29 de Abril de 1858, foi aberta à circulação pública de passageiros a terceira secção de via entre as Virtudes e a Ponte de Santa Ana. Decorridos apenas dois meses, a 29 de Junho do mesmo ano, entrou ao serviço a quarta secção, de Ponta de Santa Ana à Ponte de Asseca. Estes dois percursos abrangem a distância de 17 quilómetros.

 

 

Em face da eficácia com que decorreram os trabalhos da terceira secção de via, por portaria do Rei, foi louvado o Administrador, seus súbditos e restantes trabalhadores, dizendo: (1) “louvo pela inteligência e atividade que mostraram na direção e execução dos trabalhos” e “…espera que na continuação das obras daquela linha se desenvolva a mesma atividade, a fim de que possa brevemente ser também aberta…”.

Aproveito para referir, que sendo Sua Majestade o Rei D. Pedro V, meticuloso e tudo pretender ver, saber, e, até investigar, louvou duma forma abrangente todos os trabalhadores.

Embora um pouco tardio – ainda com tarifa provisória -, o desejado início de comboios de mercadorias, principiou a (3) 1 de Novembro de 1858. Contudo, a 23 de Dezembro do mesmo ano, foi revogada, passando a definitiva, e entrando em vigor a 1 de Janeiro do ano seguinte.

Considero oportuno destacar, o sentido de bem servir do Governo e Empresa. Para obter o supracitado sucesso, foram construídas em algumas estações, vias de resguardo e de serviço, com processo mecânico, para alterar o itinerário de via. Desta forma poderia efetuar-se cruzamentos e serviço de mercadorias.

Também foram colocadas placas giratórias, para inverter o sentido de marcha das locomotivas, para que, assim, os comboios circulassem no itinerário contrário.

 

 

Destaco (4) ainda, que entre Julho de 1857 e Junho de 1859, fizeram-se múltiplas aquisições de material. Todavia, apenas referencio que a companhia, comprou à Inglaterra e Bélgica, 6 locomotivas, 19 carruagens, 4 vagões para transporte de bagagens, 4 para transporte de cavalos, 15 para gado e 64 para mercadorias.

 

PS: – (1); Fotografias do arquivo da (CP)
Fotografia: Fernando Abel

(1) – Pág. 64 do livro de Legislação e Disposições Regulamentares de 1883
(2) – Pág. 505 e 506, pág. 560 do livro Compilação de Diversos Documentos de 1844 a 1860
(3) – Pág. 74 do livro Boletim do Ministério das Obras Públicas, Comercio e Industria de 1858
(4) – Pág. 179 do livro Boletim do Ministério das Obras Públicas, Comercio e Industria de 1859


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