25 de março

60 anos dos Tratados de Roma

30 Abril 2017
Assinatura do Tratado de Roma, 25 de março de 1957

No passado dia 25 de março celebrou-se 60 anos dos Tratados de Roma que instituíram a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica.

O dia 25 de março de 1957 foi um momento histórico de partida para um projeto que proporcionou aos europeus uma época sem precedentes de paz, democracia, progresso e bem-estar.

Portugal, só entrou para a então CEE em 1 de Janeiro de 1986, processo que teve só teve condições para ser iniciado quando em 25 de Abril de 1974 os militares puseram fim à ditadura e instalaram um regime democrático. O Portugal, “orgulhosamente só “,medieval e atrasado, sofreu transformações a todos os níveis e hoje ,apesar das dificuldades que a crise nos trouxe , é um país moderno e aberto para o futuro.

Não é objetivo deste artigo apresentar os indicadores que comprovam este desenvolvimento, mas eles são bem presentes na atual rede de estradas e autoestradas, na qualidade dos serviços de saúde (responsáveis pelo aumento da esperança média de vida e na redução espetacular da mortalidade infantil), na qualificação dos portugueses, na qualidade do parque escolar, na qualidade ambiental etc.

Muitas vezes os portugueses não têm consciência da influência da União Europeia no seu dia-a-dia, porque invariavelmente, os políticos nacionais – preocupados em capitalizar para ganharem as próximas eleições locais ou nacionais – não dão o devido relevo ao papel determinante da união europeia e dos fundos europeus no nosso desenvolvimento. Quando as coisas correm bem, o mérito é da ação dos políticos nacionais e quando as coisas correm mal a culpa é de Bruxelas, como se Portugal não estivesse representado, e bem, a todos os níveis nas instituições europeias.

O nosso modelo social europeu, por vezes erradamente considerado um bem adquirido, não é devidamente valorizado, esquecendo-se os cidadãos que a sua manutenção depende e muito, da nossa capacidade em aprofundar e melhorar o projeto europeu solidário e interdependente.

Apesar da crise financeira e económica, que levou ao aumento do desemprego e da emigração, ter deixado marcas profundas, a pergunta que deve ser feita é, o que teria acontecido sem a pertença ao espaço europeu? Com certeza que não teria sido mais fácil, até porque não beneficiaríamos das 4 liberdades; liberdade de circulação de pessoas, bens, serviços e capitais que foram fundamentais para muitas das soluções encontradas.

Por outro lado, apesar do terrorismo e da segurança estarem hoje no centro das nossas preocupações ,com instabilidade junto às fonteiras externas da UE (Ucrânia, Turquia, Médio Oriente e Norte de África) e com o problema dos refugiados e migrantes económicos, seria mais fácil que cada país isoladamente encontrasse soluções? De certeza que não.

Assim em vez de nos lamentarmos pelas dificuldades, pelo “Brexit” , vamos discutir o futuro como foi proposto no Parlamento Europeu pelo Presidente Juncker na apresentação do Livro Branco da Comissão sobre o Futuro da Europa:

“No entanto, não se trata de uma simples celebração de aniversário, mas também do «nascimento» da União Europeia a 27.

Num momento em que viramos a página e encetamos um novo capítulo da nossa história, é altura de procurarmos novas respostas a uma pergunta que tem a mesma idade que a nossa União: quo vadis Europa – a 27?

Os pais fundadores da Europa eram visionários; Spinelli e Rossi, que foram encarcerados pelo regime fascista, ousaram sonhar com um espaço em que aliados e adversários se unissem. Como não se podiam manifestar livremente, redigiram um Manifesto em prol de uma Europa livre e unida que teve de ser divulgado em segredo junto do movimento de resistência italiano em 1943.

Ao redigir esse manifesto, esse novo capítulo, Spinelli e Rossi decidiram não ceder às trevas que os rodeavam nas celas da prisão de Ventotene, mas antes procurar a luz. Sonharam com um futuro melhor e prepararam o caminho para o encontrar.

Passados 60 anos, esses factos devem ser para nós uma fonte de inspiração. Se nada nos impede de falar, será que nos perdoarão o nosso silêncio? O que dirão os nossos netos do nosso legado daqui a 60 anos? Eu quero que eles se orgulhem de nós, como provavelmente se orgulhariam hoje Spinelli e Rossi.

Chegou a nossa vez de ser pioneiros e de elaborar uma visão que nos permita avançar unidos a 27 rumo ao futuro”

No próximo artigo daremos nota das 5 propostas do Livro Branco sobre o Futuro da Europa colocadas em debate pelo presidente Jean Claude Juncker.


PUB
PUB

Últimas [Sociedade]