1988

Memórias do nosso Povo – O Santo Cego de Panque

30 Abril 2017

No ano de 1766 nasceu na freguesia de Mondim lugar de Lurigo, um menino a que puseram o nome de João Pereira da Costa. Aos 10 anos este menino, foi para um Mestre-Escola de Cossourado. Aos 13 anos já ensinava doutrina a um grupo de rapazinhos da sua idade e mais velhos. Já moço casou-se com uma moça de Cervães, que veio viver para a casa dos Pais dele em Lurigo. Esteve casado 11 anos. A esposa morre com uma pneumonia, deixando um filho de 9 anos de nome Manuel. O Manuel já moço casa com uma moça chamada Teresa. Um dia João Pereira da Costa, vai regar um milho num prédio chamado Ramil, com o seu filho Manuel. E quando ia a correr tapar a água uma folha de milho passa por uma vista que afectou e duma passa à outra e assim cegou das duas vistas. Já ceguinho, João Costa não deixou de ir todos os dias à Missa, indo por caminhos fracos quer ventasse ou chovesse. Um dia o seu filho Manuel adoece, e está um mês doente e morre, e para que o ceguinho não desse conta, a nora levou o ceguinho para casa dum vizinho, onde esteve quatro dias, pois sofria do coração. A vida do ceguinho era feita em oração rezando o terço do rosário. Mas o ceguinho voltou para casa e perguntava á Teresa pelo Manuel, a que ela respondia que tinha saído para Panque ou para Agraboa, até que o ceguinho insistia para saber do filho, até que a Teresa lhe disse que tinha morrido. O ceguinho começou a gritar alto e cai em sisma, e ao fim de 8 dias João Pereira da Costa morre com a idade de 72 anos no ano de 1838. Com fama de homem justo, este homem que rompeu terços a rezar, foi sepultado no Adro de Panque. São passados 20 anos e oseu corpo está incorrupto, e passam mais 20 e está na mesma. Até que o tiram da cova e o colocam debaixo de um altar onde esteve largos anos e ali fazia grandes milagres a quem a ele recorresse. Ultimamente foi-lhe feita uma capelinha pelo bom povo de Panque, onde é venerado como grande milagreiro. O “Santo” Cego de Panque é visitado pelos devotos da terra e por muitos devotos de longe. A vida foi simples e cheia de bondade.

Nota:
A vida do “Santo” ceguinho foi contada por António Barbosa que nasceu em 1796. António Barbosa conta a seu filho Manuel Barbosa, que veio a falecer em 1886 com 90 anos. Conta a seu filho João Barbosa, aquele morre em 1940 com 65 anos, e o João Barbosa é que conta a vida do Santo Ceguinho. Aqui fica um esclarecimento como foi transmitida oralmente a vida do Santo Ceguinho, até aos dias de hoje.

 

João Duarte “Barbosa”
Recolha e coordenação de Manuel Delfim da Silva Pereira
In “Jornal Vale do Neiva” Fevereiro de 1988
A Redação

 


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