Domingos Costa
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Domingos Costa
Colaborador
domingoscunhacosta@gmail.com

Os Caminhos de Ferro (Número 20)

4 Maio 2017

Sobre a evolução do caminho-de-ferro acelerado, registo que, a sua exploração iniciou com dois comboios por dia em cada sentido. A (1) 22 de Março de 1857, passou para três, e, em face do espontâneo sucesso, a 1 de Agosto do mesmo ano, passaram a circular quatro.

É claro que, as (3) prováveis indicações emanadas da linha do Leste, – tendo em conta a prudência necessária – gostariam logo que haja mais material circulante, progressivamente aumentar ainda mais o número de comboios. Mesmo, sabendo, que as receitas na exploração entre Carregado e Ponte de Asseca, eram muito inferiores às de Lisboa a Carregado.

Confesso que, nesta altura, (2) é importante e oportuno apresentar um conjunto de questões relacionadas com a criação e funcionamento das empresas, sobre a sua evolução, exploração, serviços e equilíbrio entre os caminhos-de-ferro confederados do mundo.

Desta forma, vê-se que, a orientação (2) levada a efeito pela empresa que explora os caminhos-de-ferro, – já na altura, – tinha em consideração importantes fatores relacionados com as ferramentas de transporte, a considerar:

Ponderação, rigor, exigência financeira e grandeza de forma a abranger a suficiência dos meios que emprega; como ainda, conseguir imprimir a força e lotação para a transferência dos passageiros ou mercadorias de um ponto a outro.

Pelo contrário, (2) se houver excesso de peso morto sobre o peso útil; ou um excesso de força de tração em relação há carga transportada; ou, ainda, existindo excesso de lugares oferecidos em relação aos ocupados, e também, no caso de haver grande variedade de veículos para mercadorias e passageiros, considerar-se-á então, um erro crasso numa boa gestão.

Por isso, é imperativo que, (2) em qualquer empresa, quando ela é concebida, a sua função é obter lucros e quantos mais, e mais cedo, melhor. Todavia, outras empresas já foram concebidas sabendo que, os lucros, surgem muito mais tarde. Tudo depende do que se investiu, e no volume que a empresa tem no mercado.

No caso dos (2) caminhos-de-ferro, é muito difícil corresponder ao referido. Porque, têm como objetivo prioritário a sua importância na sociedade, na industrialização, na civilização e progresso, do que propriamente nos lucros. Por isso, dir-se-á, haver valores a não desprezar quando labora a segurança, pontualidade, rapidez, frequência e preço. Enfim: resume-se no bem servir a nação.

Também é importante (2) ter em consideração, que o preçário de transporte, quando é sem concorrência, deve ser justo. A confirmar, poder-se-á dizer, então, que os utilizadores dos caminhos-de-ferro portugueses são beneficiadores do preço justo.

Pelo supracitado, os preços de transporte são equilibrados, mesmo com a elevada oferta. Também, não se pode descorar a existência de muitas estradas. Por quê? Tudo tem ligação direta e proporcional aos grandes centros habitacionais. Todavia, devido a dificuldades na manutenção dos caminhos-de-ferro, mais tarde, iniciaram-se conversações no sentido de apoio estatal.

 

Fotografias do arquivo da (CP)

(1) Pág. 179 do livro Boletim das Obras Publicas Comércio e Industria de 1858
(2) Pág. 403, 416 a 424 do livro Compilação de Diversos Documentos de 1844 a 1860


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