Vale do Neiva

O ovo na economia do Vale do Neiva

22 Maio 2017

Todo o lavrador tinha uma “ranchada” de gado de bico que alimentava à base de milho, farinha à mistura com couve ou esgravatando pelo monte ou horta à procura da bicharada. O maior número era de galinhas pois, para além de fornecer a carne à casa, punham ovos.

Manhã cedo, a lavradeira abria a capoeira ou o galinheiro. Antes, porém, as galinhas poedeiras eram passadas, uma a uma pela mão da dona da casa para ver se “tinham ovo”. A dona metia o dedo mindinho no cu da galinha, ficando assim a saber quantos ovos teria naquele dia. Vem daí a expressão popular “está a contar com o ovo no cu da galinha”.

Durante a manhã era característico o cacarejar das galinhas, anúncio de que já tinham posto ovos e podiam ser soltas. Pelo meio-dia, a dona da casa ia à capoeira e trazia na abada do avental os ovos postos. Em casa os ovos eram colocados num bacia ou na sopeira da farinha do caldo.

Quando as galinhas punham pouco, os ovos eram gastos em casa para fazer pastéis de bacalhau e farinha, e caso houvesse muitos eram vendidos na feira ou à porta às galinheiras que negociavam.

Era costume esfregar os ovos quando quentes nos olhos das crianças e até nos adultos.

In Memórias do Nosso Povo 1


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