Entrevista

Diácono Vítor Rocha em entrevista

5 Junho 2017

Chamo-me Vítor Miguel Rodrigues Gonçalves Rocha, sou o terceiro de cinco filhos, nasci a 8 de agosto de 1992. Natural de Serreleis onde desde tenra idade vivi embrenhado e próximo das dinâmicas paroquiais e religiosas. Em particular o primeiro contacto com o grupo dos acólitos, com 11 ou 12 anos, foi muito importante e fascinante.

Também por essa ocasião surgiram algumas perguntas muito incisivas sobre a possibilidade de um dia ser padre. Não lhes dei grande valor – como é comum –, porque não encontrava em mim as qualidades necessárias para ser padre e porque sabia que os colegas iam brincar com a situação. Em todo o caso, a pergunta manteve-se durante mais alguns anos e foi repetida com alguma frequência, quer pelo pároco, o Monsenhor Joaquim Vilar, quer por algumas catequistas, a quem muito agradeço.

Pelos 15 anos decidi frequentar o curso profissional de Hotelaria Restauração Cozinha/Pastelaria na ETAP – Escola Profissional em Vila Praia de Âncora. Mais do que um curso esta foi uma escola de formação humana muito enriquecedora. Foram anos decisivos e apaixonantes. Estudava e fazia o que gostava, o que provocou grande satisfação e permitiu sonhar com projetos a longo prazo.

Porém, no decorrer do curso, eis que a pergunta surgiu novamente. Desta vez com um peso diferente: «Estou a fazer a vontade de Deus?» e «Qual a vontade de Deus para a minha vida?». Duas perguntas que precisavam de uma única resposta: «Vem ver!»

 

Como foi o percurso anterior de ingressar no Seminário?

Desde o dia em que percebi que precisava meditar sobre a minha vocação comecei um caminho intenso de discernimento acompanhado pelo pároco, na data o Padre Pablo Lima. Tinha decidido que devia de frequentar o seminário durante o tempo necessário até perceber bem qual a resposta a dar àquelas perguntas iniciais.

Este tempo anterior ao seminário é marcado por um tempo de pré-seminário, que consiste num encontro mensal no Seminário Diocesano, onde – juntamente com outros jovens – somos levados a pensar se desejamos viver em comunidade e fazer o discernimento vocacional em ambiente comunitário – no Seminário.

Eu, como a grande maioria dos seminaristas e padres, frequentei o pré-seminário como preparação para ingressar no Seminário.

 

Em poucas palavras, como pode resumir o seu percurso no Seminário?

O tempo de seminário está destinado a dois grandes campos de intervenção: discernimento; e preparação para o sacerdócio. Nos primeiros anos procurei perceber se existia realmente algum chamamento ao sacerdócio ou se na verdade o caminho seria outro. Neste sentido, o discernimento passou também por perceber se tinha as condições físicas, intelectuais, emocionais e relacionais necessárias para o bom desempenho do ministério sacerdotal.

Findo este período, mas sem o abandonar – porque o discernimento da vocação faz-se todos os dias – firmei o meu desejo em preparar-me para receber a ordenação sacerdotal. Assim, toda a formação académica, humana, espiritual e pastoral foi tomada com afinco, tendo em vista o melhor aproveitamento deste tempo indispensável na formação dos padres.

O Seminário, mais do que as estruturas físicas ou institucionais, é o tempo de discernimento e preparação dos jovens que desejam ser sacerdotes. Foi neste sentido que tentei viver estes anos.

 

Neste último ano esteve por Barroselas e Carvoeiro no chamado Ano de Estágio. Em que consiste?

A conclusão dos estudos em seminário ocorre com a realização de um ano em estágio e formação pastoral. Ao longo deste último ano o candidato ao sacerdócio toma consciência, no terreno, de alguns pormenores da vida pastoral.

Com a ordenação diaconal no início do ano de estágio (6 de novembro de 2016), passo agora esta fase transitória, mas enriquecedora, de contacto com duas comunidades concretas – Barroselas e Carvoeiro – acompanhado do Padre José Domingos Gomes, onde descubro as oportunidades e dificuldades que estas comunidades vivem.

Tem sido um ano de muitas experiências novas e muito mais proveitoso do que poderia imaginar no início. Estas duas comunidades são muitos ativas e diversificadas, o que valoriza muito mais a variedade de aspetos a refletir e aprender.

Felizmente, tenho contado com bom acolhimento e muito apoio do Padre José Domingos e das pessoas de Barroselas e Carvoeiro. Muitas pessoas em muitas situações manifestam o seu carinho e apoio à caminhada de discernimento que estou a fazer, também a todas elas a minha gratidão pública.

Esta presença, apoio e dedicação das pessoas é muito significativo para a vida de qualquer seminarista ou sacerdote, pois é sempre agradável sentir alguma aceitação daqueles a quem se dirige o nosso ministério.

 

O que confere o Sacramento da Ordem (diaconal e presbiteral)?

O Santo Cura d’Ars dizia: «se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor». Uma expressão que, sem esquecer a fragilidade dos ministros ordenados, manifesta a necessidade dos sacerdotes para levar a cabo a santificação do povo de Deus. É para isto que existe o Sacramento da Ordem, da mesma forma o Sacramento do Matrimónio.

Em particular o Sacramento da Ordem tem três graus: diácono, presbítero e bispo. Eu fui ordenado diácono no passado mês de novembro e serei ordenado presbítero no próximo mês de julho, dia 23. O grau e bispo é conferido por eleição, feita pela Igreja, tendo em vista as necessidades do Povo de Deus.

O sacerdote tem em suas mãos a possibilidade de consagrar. Um dom e uma graça que Deus concede àqueles que escolhe, para que por eles Ele se faça presente. Claro que a ação de Deus não se limita na ação do sacerdote, mas é por estes ministros ordenados, por Si escolhidos, que a graça de Deus tem expressão visível – nos sacramentos.

 

 

Que perspetivas para o futuro?

As perspetivas para os tempos que se avizinham são bastante empolgantes, embora consciente das exigências próprias do ministério. Aquilo que se espera de um sacerdote é, por vezes, muito mais do que aquilo que se exige a qualquer outra pessoa nas mesmas condições, e isso tem ainda maior peso para um jovem de 25 anos. Neste caso experiência de vida não é a de um homem com 60 anos, onde prevalece a ponderação, nem a de um homem de 40 anos, especialista em determinado assunto. Sou um homem em início de caminhada, pronto para aprender e disponível para ouvir. Reconheço a qualidade da formação dos seminários que tentam preparar-nos em muitas frentes para vivermos com equilíbrio o sacerdócio.

Sei que a comunidade sacerdotal está disposta e alegre por acolher mais um trabalhador da Messe do Senhor e acredito que os cristãos de Viana do Castelo estão empenhados na oração pelas vocações, o que muito me entusiasma e alegra. Perante tudo isto, só me resta colocar a minha vida nas mãos de Deus.

Domingos Costa

 


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