Domingos Costa
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Domingos Costa
Colaborador
domingoscunhacosta@gmail.com

Os Caminhos de Ferro (Número 21)

5 Junho 2017

É importante registar que, as empresas não se autorregem, carecem, sim, da mediação humana. Por isso, confesso ser importante assinalar os seguintes excertos:

“Em algumas 1 considerações sobre a constituição das empresas de caminhos-de-ferro”(…) “É da natureza da nossa civilização, que as maiores forças de que o homem dispõe para o seu aperfeiçoamento, sejam aquelas que mais prejuízos lhe podem causar, quando abusa delas, ou as emprega mal.”

Pelo supracitado, 1 creio ser necessário refletir sobre a criação e continuidade de uma empresa de caminhos-de-ferro. A sua conceção deve ser ponderada, para não fracassar. Porque, em face “…da sua extensão, instalações, capital e trabalho desenvolvido em todo o Universo, os caminhos-de-ferro, podem considerar-se, sobre o ponto de vista industrial, a maior realização humana de todos os tempos”.

“Nunca, antes da sua descoberta, atividade alguma, havia empregado número tão elevado de recursos técnicos e tão grande soma de capitais.”

A sua introdução na vida dos povos, 1 “…revolucionou os costumes, as industrias, as artes e as próprias mentalidades. Se o progresso positivo se faz aos impulsos destas descobertas transcendentes, nenhuma até hoje igualou em força evolutiva a descoberta da via-férrea…”, aproveito para apresentar mais algo importante: “…a vida adquiriu novo ritmo depois da invenção de Georgs Stephenson, o fumareu do seu cavalo de fogo eclipsou todos os anteriores métodos de locomoção e transporte, a liteira, a mala-posta, o coche, a diligência e a carruagem.”

O nosso escritor 2Alexandre Herculano, na primavera de 1853, escreveu nos jornais fortes críticas relativas à construção do cominho-de-ferro. Por altura da inauguração, elogiou os caminhos-de-ferro na Revista Peninsular:

 

 

“Não, a máquina a vapor é um dom do céu, um instrumento de progresso legítimo, uma fonte de cómodos e gozos para o género humano, como o foram o arado, o navio, a imprensa para os homens que o viram nascer.” Diz ainda, “a máquina a vapor leva o agasalho e o conforto, a limpeza e saúde às choupanas do povo, onde, sem ela, só habitaria por séculos a miséria extrema, com todas as suas dores e agonias.”

É claro que, com a referida invenção, poupou-se milhões de braços em trabalhos penosos, libertando-os para desempenhos mais produtivos; os quais, ao serem desalgemados muito contribuíram para acordar a humanidade de uma doença dormitem-te.

 

 

Agora sobre os serviços dos Caminhos-de-ferro Portugueses, dir-se-á que se tem ainda o serviço de saúde, que se destina a dar assistência médica – na altura – ao pessoal e sua família e ainda, as condições gerais de salubridade, sanidade e aposentações.

Ainda existe a divisão de material e tração, que tem, ao seu domínio, a requisição das locomotivas, suas reparações e abastecimentos, assim como as oficinas, o material de mercadorias e passageiros. Finalmente, existe a Divisão de Via e Obras, que cuida da manutenção da via-férrea, pontes, túneis, edifícios e linhas telegráficas.

 

 

 

 

 


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