Caminhos de Ferro
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Domingos Costa
Colaborador
domingoscunhacosta@gmail.com

Os Caminhos de Ferro (Número 22)

14 Junho 2017

Em continuação sobre a importância e dever dos caminhos-de-ferro, direi que, o pensamento na altura do arranque do caminho-de-ferro era “…eminentemente popular e democrático” ao mesmo tempo, os estudos diziam, que não eram as classes abastadas que alimentavam os caminhos-de-ferro, mas, eram sim, “…as classes laboriosas”. Também se dizia que o povo, a viver em locais mais atrasados, vive a matar o tempo. Hoje, seguramente, não se partilha inteiramente desse princípio.

Acrescentarei que, a celeridade dos caminhos-de-ferro, ao serem a alavanca das reformas, dinamizam a prosperidade e civilização, ou seja, muito contribui para que todos beneficiem das transações que executa, designadamente, a nível da “…economia interna e no trabalho industrial dos povos.” Quer dizer: deve-se aproveitar a movimentação, para que o lucro seja mais generoso, em face da oferta de produtos.

Pelo mesmo motivo, [1] se pode dizer que os caminhos-de-ferro, têm potencialidades de criar riqueza em qualquer ponto do Mundo. Porque, ele, “…goza de soberano grau deste atributo” e é um “…veículo rápido dos homens e das ideias, estende a vida no espaço e no tempo, e difunde rapidamente os progressos e invenções realizadas em qualquer ponto do Mundo, conduz à união das nações, à unidade da civilização e a tornar melhor e mais igual a condição do homem”. Com singeleza, mas, de forma assertiva, faz ainda referência, à guerra da Crimeia, onde a Rússia foi penalizada por não o possuir. Dir-se-á: o caminho-de-ferro, talvez seja o sistema mais complicado e desenvolto do mundo. Creio, igualmente, o mais sensível.

De seguida, vou fazer uma pequena referência em outros países: na Inglaterra, (1) em face da considerável densidade populacional, existem muitas empresas particulares de caminhos-de-ferro. Por isso, é óbvio que, haja muita concorrência. Algumas delas, geograficamente prestam serviço, em linhas onde os comboios circulam paralelamente.

Na Bélgica, (1) como é o governo que explora os caminhos-de-ferro, gradualmente reduz o preçário; bem como, estabelece valores iguais em todas as companhias, ou seja, o mais barato possível. Todavia, um pouco mais tarde, procurou ajuda ao privado.

Em França, (1) o estado também negociou a construção dos caminhos-de-ferro, com subsídios particulares, como também, negociou a sua interferência na regulação tarifária.

Na Alemanha, (1) pela falta de capitais particulares, – à exceção de algumas companhias subsidiadas com garantias de juros, – coube mais ao governo construí-los. Porém, mais tarde, o governo opta por explorar e não construir.

Concluído o parecer (1) sobre o funcionamento dos caminhos-de-ferro e sua administração, é tempo de voltar a falar sobre o andamento das obras. Para o efeito, foi proposto ao Governo Português, a 29 de Agosto de 1857, sobre a empreitada de construção entre Ponte de Asseca e Tomar, assim como a construção da margem sul do Douro, – Junto do Rio Douro – até Pombal no prazo de três anos. Ficaria ainda o Sr. Morton Petto, com a possibilidade de construir a via-férrea, de Pombal a Tomar.

[1] Pág. 363 a 366, 419 a 433, 553 do livro Compilação de Diversos Documentos de 1844 a 1860;

Fotografias: Arquivo da CP


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