Entrevista

Ana Palma: a Artista Plástica e Professora de Artes

28 Julho 2017

À conversa, a partir de Londres, fomos conhecer o trabalho que nossa conterrânea Ana Palma se encontra a desenvolver.

“Viver numa cidade com a dinâmica cultural que Londres tem, é extremamente estimulante, o que me leva a querer retirar o máximo partido enquanto artista plástica e docente.”

Nome completo: Ana Isabel Lima Palma
Naturalidade: Portuguesa
Residência: Londres
Descendência: Portuguesa
Profissão: Artista Plástica | Professora de artes

Todos temos ao longo da vida, bons e maus momentos, mencione um bom e outro mau:
Bom: Todas as viagens que fiz até hoje! Sou feliz a viajar e a explorar novos mundos e culturas.
Mau: Qualquer momento em que algum elemento do meu núcleo familiar tenha sofrido. Os maus momentos dos que mais amo são, para mim, sempre mais difíceis de suportar do que os meus.

Livro de mesinha de cabeceira:
Tenho sempre! Neste momento estou a terminar ‘Creativity: Flow and the Psychology of Discovery and Invention’ do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi.

Personalidade notável de referência:
Paula Rego. Entre outras coisas, pelo percurso artístico notável, por ter sobrevivido e resistido a uma sociedade que a queria limitar ao mundo doméstico e da maternidade.

Local de férias preferida:
Qualquer sítio do mundo, mas locais com mar fazem-me muito bem. Sinto falta do mar!

Lema da vida:
Tenho várias, depende da fase pela qual esteja a passar. Li há pouco: ‘Fear is boring’ e achei mesmo graça. O medo obriga-nos a fazer aquilo que nos faz sentir mais confortáveis e cómodos, impedindo-nos de agarrar novos desafios e explorar e desenvolver as nossas capacidades. Para mim, a seguir ao conforto vem sempre o tédio. E é possível morrer-se de tédio!

Habito diário:
Retirando aqueles básicos de sobrevivência, diria: criatividade, música e leitura (não sou capaz
de escolher apenas um).

Pensamento:
O ensaio “Um quarto só para si” de Virginia Woolf é todo ele uma sucessão de raciocínios interessantes e pertinentes acerca do papel da mulher criativa na sociedade da época, ainda muito actuais nos dias de hoje.

Escola inesquecível:
Por razões distintas tenho boas memórias, e muito presentes, de todas as escolas onde passei. Talvez por ser uma das fases mais determinantes da vida académica, escolheria a escola primária da igreja, Barroselas. A professora Diana ensinou-me, mais do que qualquer disciplina,a gostar de aprender. Havia uma componente humana, que ia muito além do que o Curriculum Nacional manda, e agora percebo o quanto isso me marcou.

Uma personagem justa:
Qualquer cidadão comum que tenha a coragem de, no seu dia-a-dia, não apontar apenas o dedo ao que está errado mas que tenha uma postura proactiva e de mudança.

Um bom Português:
Não sei o que implica o conceito de ‘bom’, portanto, respondo apenas a ‘Um português’: José Saramago, uma das personalidades de referência do nosso país. A visão crua e autêntica que tem do mundo fascina-me. Acho-o um pensador brilhante e aprecio a coragem que sempre teve para dizer exactamente o que pensava por mais que isso pudesse ferir susceptibilidades.

Uma data:
Uma memória:
“Giselle”! Um bailado coreografado por Akram Khan para a companhia de Ballet Nacional Inglês com orquestra ao vivo. Um dos espectáculos mais intensos e, visualmente interessantes que já vi, em que o clássico se funde com o contemporâneo. Senti-me uma privilegiada!

Exerce alguma profissão de momento?
Neste momento, encontro-me a desempenhar funções professora de artes numa escola Montessori ao mesmo tempo que desenvolvo o meu trabalho artístico e criativo.

Balanço profissional até ao presente.
Fui docente a tempo inteiro durante cerca de sete anos, é um trabalho gratificante mas que exige muito tempo e dedicação. O que sou hoje enquanto professora e artista devo-o muito a esse período da minha vida. Contudo, viver em Londres permitiu-me conciliar as duas áreas que mais me apaixonam e que são essenciais para a minha realização pessoal e profissional.

Que projetos tem para o futuro?
Viver numa cidade com a dinâmica cultural que Londres tem, é extremamente estimulante, o que me leva a querer retirar o máximo partido enquanto artista plástica e docente. A aprendizagem ao nível pessoal e profissional, foi imensa desde que cá cheguei e, por essa razão, quero continuar esse percurso. No entanto, mesmo sendo este o meu pouso actual, pretendo expor e colaborar com projectos artísticos e educativos tanto aqui como além fronteiras.

Qual a sua relação visão de Portugal estando a viver fora?
Tenho muito orgulho no meu país, na minha cultura e raízes. Sinto muita falta de Portugal e dos que mais amo, mas a cultura e as artes visuais em Portugal ainda são vistos como algo desnecessário e supérfluo. O Ministério da Educação vê o ensino das artes visuais como uma disciplina para entreter meninos, e que convém reduzir ao máximo o número de horas semanais. Mas como dizia aos meus alunos: “Olhem à vossa volta! Excepto o mundo natural, tudo o que os vossos olhos alcançam teve que um dia ser desenhado por artistas: a sala de aula, a cadeira onde estão sentados, os carros, a vossa roupa, TUDO! As artes estão tão presentes no nosso dia-a-dia que nem nos apercebemos do quanto nos fazem falta. O mundo sem todas as Artes seria um mundo sem música, sem objectos estéticos, sem livros, sem séries, sem cinema, etc. Isto não é supérfluo! Tive e tenho vergonha da fase em que Portugal não tinha Ministério da Cultura, penso que isso foi sinal de um estado de pobreza extrema, não financeira, mas de espírito. Admiro os que sobreviveram a esse período e que não desistem de transformar o nosso país num país que não aprecie (porque isso já o faz), mas que valorize a cultura e quem a produz (‘por amor à camisola’ na maioria das vezes).

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