Domingos Costa
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Domingos Costa
Colaborador
domingoscunhacosta@gmail.com

Os Caminhos de Ferro (Número 23)

5 Agosto 2017

Ao cabo de um ano de atividade dos comboios de passageiros entre Lisboa e Virtudes, as estações a nível de conforto, infelizmente não garantiam confiança para todas as classes de passageiros, especialmente os utentes da 3ª. Classe, sendo esta classe, a de maior número.

A 1 de Novembro de 1858, o Administrador Geral Interino, envia ofício ao Governo, sobre um tremor de terra e fortes chuvadas registadas no dia 11 desse mesmo mês, da intempérie resultou abusivas inundações na via-férrea. Mesmo assim, com precaução, a circulação de comboios efetuou-se.

Porém as chuvadas haveriam de continuar, e, no dia 15, originou estragos de alguma monta na via-férrea e em pontes. Imediatamente foram improvisados meios para reparar os estragos.

Mais uma vez, (1) é importante realçar, a atempada e oportuna atenção que Sua Majestade El-Rei teve, num seu ofício dirigido ao Administrador Geral e empregados dos caminhos-de-ferro, enaltecendo o zeloso trabalho desenvolvido na reparação dos estragos acima referidos.

Considero importante referir, que inicialmente, surgiram muitos contratempos nas negociações e arranque dos trabalhos. Depois, houve um regular desempenho, até porque, o Governo e Sua Majestade El-Rei, enviaram felicitações pelos bons serviços prestados.

Todavia, (2) – embora com as boas relações em alta -, mais uma vez surgiu o impasse. O Sr. Morton Petto não cumpriu as exigências pré estabelecidas. Simultaneamente, deu-se a crise ministerial que originou novo governo.

Pelo fato, a 16 de Março de 1859, foi nomeado novo executivo, encabeçado pelo Duque de Terceira, como Presidente do Concelho; Fontes Pereira de Mello, com Ministro do Reino; Casal Ribeiro, como Ministro da Fazenda; António de Serpa Pimentel, Ministro das Obras Públicas; Martens Ferrão, Ministro da Justiça e Guilherme Ferreri, Ministro da Marinha.

Em face do imbróglio, – através de portaria, – fixou-se o dia 31 de Maio de 1859, como “termo final da prorrogação do prazo de que trata (…) o contrato com Sir Morton Petto.”

Sem perda de tempo, é emitido, a 6 de Junho, um decreto “…rescindindo o contrato de 28 de Agosto de 1857, com Sir Samuel Morton Petto relativo ao caminho-de-ferro de Lisboa ao Porto”. A razão consistia em não cumprir o prazo de 6 meses para formar empresa, – exigência estabelecida no contrato -, como também não serem aceites as alterações propostas por ele na camara dos deputados, relativamente à construção do caminho-de-ferro de Lisboa ao Porto.

 

 

Com a demissão do Duque de Loulé, caberia, agora, a António de Serpa Pimentel assinar a rescisão de contrato por incumprimento com Petto.

Como verificaram, o homem de confiança de todos, sucumbiu. Para o seu lugar, foi negociado e celebrado contrato com D. José de Salamanca, que mais tarde chamou-se Marquês de Salamanca.

A saída de Sir (2) Samuel Morton Petto, – como já referido – deu-se devido ao incumprimento do acordo estabelecido entre as partes. Todavia, sem perda de tempo, uniram esforços para que fosse lavrado um novo contrato com o Empreiteiro D. José de Salamanca. O qual, inspirou de imediato confiança, dado ter currículo reconhecido, pois, tinha construído e concluído diversas linhas em Itália e Espanha.

(1) Pág. 564 e 568, e 597 a 602 do livro Compilação de Diversos Documentos de 1844 a 1860.
(2) Pág. 64 a 69, do livro de Legislação e Disposições Regulamentares de 1883.
PS: – As fotografias são do arquivo da CP

 

 

 


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