Caminhos de Ferro

Caminhos de ferro nº24

2 Setembro 2017

Voltando [1]agora à evolução dos caminhos-de-ferro, direi que logo a 14 de Setembro de 1859, em termos de adjudicação definitiva, D. José de Salamanca aceita o referido contrato sobre a construção da linha férrea de Lisboa ao Porto e de Lisboa à fronteira. O mesmo foi assinado nesse mesmo dia, na presença dos membros do Governo, Sua Majestade El-Rei, e da Empresa de D. José de Salamanca.

A 12 de Agosto de 1858, cerca das 20h30, surge o primeiro acidente ferroviário nas proximidades da estação de Olivais. O inquérito foi rápido, dado que, em 48 horas ficou concluído. Dele, ficou provado, que houve erro humano no agente que dava continuidade à marcha, como também, a velocidade da locomotiva chamada “Leiria” circular nessa estação com velocidade excessiva. Daí, resultou um choque entre a referida locomotiva, e o comboio que se encontrava na estação, para ser rebocado por essa mesma locomotiva.

Em consequência, originou a morte de um operário das oficinas e ferimentos em mais três empregados com alguma gravidade; também, leves ferimentos em oito viajantes. Os feridos foram de imediato tratados pelo “facultativo” médico do caminho-de-ferro. Os dois empregados – calcula-se – responsáveis do acidente, foram “…em custódia, para serem entregues à autoridade competente.”

Com [2] a entrada do Novo empreiteiro, foram alargados os horizontes sobre o avanço das obras. Por outro lado, a 9 de Abril de 1859, por portaria de Sua Majestade El-Rei, foi proposto ao Capitão Francisco Maria de Sousa Brandão, para efetuar um reconhecimento e estudo, a fim de ligar com uma linha férrea de Coimbra ao reino do país vizinho, para assim, ter ligação com o resto da Europa.

A 30 de 1Julho de 1859, foi emitido um decreto a fim de clarificar a construção e exploração da Linha de Leste e Norte. No mesmo dia, é estabelecido contrato provisório, no Ministério das Obras Públicas Comércio e Industria.

Nesse encontro, fez parte o representante do Concelho de Sua Majestade, Sr. António de Serpa Pimentel; Ministro e Secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas Comércio e Industria; D. Narciso Pascual y Colomer, súbdito Espanhol representante de D. José de Salamanca; Dr. Rodrigo Nogueira Soares Vieira, do Concelho de Sua Majestade, Ajudante do Procurador-Geral da Coroa e Ernesto de Faria do Concelho de Sua Majestade, Oficial Graduado, Chefe da Repartição Central da Direção Geral das Obras Públicas.

Em resultado da manifesta evolução – e a já referida mente aberta -, houve um patente compromisso de reforma a nível dos Engenheiros Civis, e, também seus colaboradores, no sentido de valorizar, especializar e selecionar os melhores engenheiros, quer militares como civis, para que, a sua posição no desempenho da missão confiada, seja exercida com fidelidade, competência, amor e seriedade. Incidindo nos parâmetros exigidos pelo ministério das obras públicas/governo.

A partir dessa altura, de doseada intensidade, foram propostos tirocínios do domínio das obras-públicas, de forma a aliar ainda mais a teoria à técnica. Esses ensinamentos, eram ministrados sobretudo aos Engenheiros Civis da Área Militar, para que haja equidade profissional nas altas funções que os esperava.

Domingos Costa

Obs: Fotografias do arquivo da (CP).

[1] Pág. 66, 67e 80 a 99 do livro de Legislação e Disposições Regulamentares de 1883

[2] Pág. 419 a 433 e 605 a 610 do livro Compilação de Diversos Documentos de 1844 a 1860.


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