Neves

Os propósitos do fundador da Capela das Neves

8 Setembro 2017

A Festa das Neves

Os propósitos do fundador da Capela, e caminhada na fé a Nossa Senhora das Neves.

Sem grande[1] precisão por dificuldade de leitura do Tombo da Capela dedicada à Virgem, foi mandada construir em 1550 por um casal devoto da Senhora das Neves, João Pires e Isabel Barbosa.

A construção da Capela foi concebida com inequívoco propósito [2]do fundador “João Ramalho Pires” que a Senhora das Neves fosse – ininterruptamente em atos Religiosos – homenageada através de esmolas, ofertas e saldos dos bens patrimoniais. Por isso ficou claro, que os futuros Administradores competia-lhes o mesmo procedimento. Acresce ainda dizer, que, a vontade do fundador foi respeitada durante muitas décadas.

Todavia, em 1655, em resultado de diversas crises, desmazelos excessivos, ganâncias inexplicáveis e ruína da capela, o acordo estabelecido foi rompido.

A 9 de Janeiro de 1657, foi passada licença para dizer Missa, nesse dia, a Missa foi cantada, sermão à Virgem e procissão. De enaltecer a fortíssima afluência de devotos das três freguesias, – incluindo de outras freguesias contíguas – a Nossa Senhora das Neves.

Em 1784 os problemas voltam. Culminando com ordem de demolição da Capela até aos alicerces em 1797, ficando, como é óbvio, novamente sem atos litúrgicos. Um visitador em 1797, disse que a Capela Santa Maria Maior ou de Nossa Senhora das Neves “…em estilo Manuelino, mais parecia, pela forma, um castelo do que casa de Deus”, inspirando pouca devoção. Em 1800 ainda continuavam suspensas, em face da ausência das obras.

Ao certo não se sabe os anos em que esteve inoperacional, todavia, existem registos que em 1822, novamente “…um visitador ordenou que se mantivesse a comparticipação das três freguesias nas mesmas. Em 1824 nova <interdição e inabilidade> impossibilitava que, por mais algum tempo, houvesse festividades”.

É de notar que “Até à ruína total da capela, e consequente substituição pela atual no ano 1908, as festas oscilaram de acordo com o estado de conservação e decência”.

A partir daqui, ficou estabelecido que a administração era exercida pelo Pároco de Mujães, e coadjuvada por pessoas idóneas.

Em 1917, um jornalista dizia: “causava admiração os enormes e vistosos andores na procissão que de manhã, no dia de festa, sai da Capela e que percorre vários caminhos da freguesia com o seu Coro das Virgens, e a célebre comédia da Floripes no ar livre e sobre um estrado”.

Entre 1930 e 1932, – devido ao desmedido programa profano -, novo contratempo entre clero e festeiros.

Fins da década 30 e início de 40 do século XX, voltam os problemas e a festa é realizada só com os atos religiosos.

Em 1943 é integrada nas festividades a procissão de velas. De 1947 aos dias de hoje, o legítimo Administrador é a mesa da Confraria. Desta forma, ficou convencionado que a Capela era designada como Centro Interparoquial das três freguesias.

Resumindo: a Confraria é administrada por três membros e seus substitutos eleitos em Assembleia Geral. Seguindo a seguinte ordem: Juiz, Secretário e Tesoureiro. Sempre que possível, um de cada paróquia. Na ausência de Capelão privativo, “…o Pároco de Mujães fará as suas vezes…”.

Por mera apreciação pessoal – infundada -, penso que, a Capela ao se encontrar em espaço confluente das três freguesias, por apelo do fundador,  e, também, pelo carisma de Mãe acolhedora e congregadora, crê-se levado a que, os fervorosos devotos das três paróquias, na altura se uniram, e, a partir daí, em uníssono começaram a celebrar a festividade sobre a múltipla administração, no dia do aniversário a Nossa Senhora das Neves.

Relativamente às festividades deste ano, indo diretamente ao epicentro das festas, dir-se-á que, a Procissão decorreu como é habitual dentro dos parâmetros pré-definidos. O dedicado carinho e veneração pela Santa, mantêm-se vivo nas três freguesias, nas circundantes e muitas outras distantes.

De realçar este ano a presença do Sr. Bispo Dom Anacleto a presidir às festividades Religiosas. Com este gesto afetuoso promoveu mais luz religiosa, bem como mais união no fervoroso amor a Nossa Senhora das Neves.

 

[1] Recolha na pág. 101 do livro do Centenário – da restauração da Capela “2008” – das Festas das Neves, da autoria do Pe. Alípio Torres.

[2] Recolha nas pág. 147 a 153 e 427 a 430 do livro “Monografia de Vila de Punhe”, sendo autor o Sr. Pe. Alípio Rodrigues Torres, editado em 2001.

Fotografia: Junta de Freguesia de Mujães

Domingos Costa


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