Meniére

Diagnóstico e tratamento da doença de Meniére

14 Novembro 2017

Não existe um exame ou teste específico para se diagnosticar a doença de Menière. Em geral, o diagnóstico é feito através do exame físico e da história clínica do doente. Às vezes, o doente permanece com graus variáveis de sintomas auditivos e tontura por até 3 anos antes de conseguir encontrar um médico que estabeleça o diagnóstico correto.

Os critérios diagnósticos propostos pela Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço são atualmente os mais usados para definição do diagnóstico da doença de Menière.

História de pelo menos 2 episódios de vertigem com duração mínima de 20 minutos.
Confirmação de perda auditiva através de um exame audiométrico.
Presença de tinnitus.
Além desses critérios, também é importante descartar doenças que possam provocar um quadro clínico parecido, como esclerose múltipla, neurinoma do acústico, diabetes mellitus, doenças da tiróide e outras doenças do ouvido interno.

TRATAMENTO

Não existe cura para a doença de Ménière, mas há tratamento efetivo para os sintomas na maioria dos casos.

Em geral, os objetivos do tratamento da síndrome de Menière são:

– Reduzir a frequência e a gravidade das crises de vertigem.
– Aliviar sintomas crónicos, como os zumbido e os problemas de equilíbrio.
– Tentar impedir a progressão da doença, especialmente a perda de audição e o desequilíbrio.

Crises de vertigem podem ser controladas em até 95% dos doentes, embora a perda de audição progressiva raramente responda ao tratamento. Os casos com melhores resultados costumam ser aqueles que foram encaminhados precocemente para um médico otorrinolaringologista.

Além do tratamento médico propriamente dito, algumas mudanças de hábitos de vida também são importantes. Em muitos casos, as crises da síndrome de Menière podem ser desencadeadas por fatores como: consumo de cafeína, álcool, excesso de sal, nicotina, stress, reações alérgicas. Evitar esses factores é essencial para o controle da doença.

Medicamentos para a síndrome de Ménière

Durante as crises, o tratamento visa melhorar a vertigem e aliviar as náuseas. Fármacos como diazepam, lorazepam, meclizina, dimenidrinato, escopolamina, prometazina e proclorperazina costumam ser as mais utilizadas para esses fins.

Passada a crise, alguns medicamentos devem ser usados para controle da doença a longo prazo. Diuréticos, como a hidroclorotiazida, e o vasodilatador beta-histina são os medicamentos com melhores resultados a longo prazo.

Outros tratamento para controle da doença a longo prazo incluem:

Terapia de reabilitação vestibular, que são exercícios específicos com o objetivo de ajudar o corpo a maximizar o equilíbrio.
Uso de aparelho auditivo para os doentes com redução permanente da audição.
Terapia com dispositivo Meniett, que é um aparelho usado para a aplicação de pressão positiva no ouvido médio como forma de melhorar o intercâmbio de fluidos no labirinto. Este tratamento é realizado em casa, normalmente três vezes por dia, com sessões que duram apenas 5 minutos.

Cirurgia e procedimentos destrutivos

Para os doentes com doença de Ménière unilateral e que não tenham apresentado melhoria relevante com os tratamentos descritos anteriormente, a utilização de um procedimento que cause lesão irreversível no labirinto doente é uma opção. O objetivo é fazer com que, estando um dos labirintos destruídos, o cérebro passe a utilizar apenas as informações fornecidas pelo outro ouvido, que é saudável, para manter o indivíduo equilibrado.

O procedimento destrutivo pode ser feito através da injeção de gentamicina ou dexametasona diretamente no ouvido médio. A gentamicina é mais eficaz, mas há o risco dela agravar a perda auditiva naquele ouvido.

Nos casos graves e intratáveis, uma cirurgia para remoção do labirinto doente, chamada labirintectomia, é a opção. Este procedimento porém, deve ser feito só em casos extremos, pois ele provoca surdez no ouvido afetado.

Uma opção menos extrema é a secção cirúrgica do nervo vestibular.
Este procedimento visa cortar o nervo que leva as informações do labirinto para o cérebro. Neste caso, a audição do ouvido afetado é preservada. O problema é que essa cirurgia é muito mais complexa e com maior taxa de complicações que a labirintectomia.

Uma forma de cirurgia não destrutiva é a chamada descompressão do saco endolinfático. Neste procedimento, o cirurgião remove uma parte do osso mastoide, aumentado, assim, o espaço para expansão da endolinfa dentro do ouvido interno. Esse procedimento apesar de ser menos efetivo que as técnicas destruidoras, apresenta taxa de complicações muito menores. Em geral, é reservado para os doentes com vertigem intratável, mas ainda com audição intacta.


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