Sugestao ao leitor

ALFRED HITCHCOCK NO CINEVIANA 

16 Abril 2018
ALFRED HITCHCOCK NO CINEVIANA 

 

(2ª Parte Psico) 

 

Depois do rescaldo de Vertigo, um filme verdadeiramente arrebatador, paradoxal e sui generis, que me surpreendeu pela a originalidade do enredo e realização impar, o meu interesse aumentou significativamente e as expectativas subiram de tom, relativo ao filme do dia seguinte Psico, esse claramente mais badalado e descrito com mais impacto, sobre quem teve a vantagem e a prorrogativa de assistir ao filme anteriormente. Nesse sábado á noite, procurei me por ao corrente sobre os outros filmes, que passaram durante a semana de 2ª a 6ª nesse evento, e claro após estes anos todos, posso vos recomenda los a todos, cada um com o seu enredo peculiar e intrínseco, mas prevalecendo em ambos o toque magistral e imponente de Hitchcock, absolutamente crucial para os sucessos dos mesmos, e por consequência acho que seria oportuno, fazer uma breve alusão a esses filmes, antes de passarmos ao filme do dia seguinte, ao qual eu e os meus amigos tivemos o privilégio de ver no festival:  

Segunda-Feira- 1º Filme: Intriga Internacional de 1959, Sinopse: Por uma casualidade tremenda e de forma caricata, um executivo de publicidade Roger Thornhill é confundido com um agente chamado George Kaplan, e acaba por ser perseguido por todo os Estados Unidos por agentes de uma obscura e estranha organização, pois acreditam que ele esteja envolvido num roubo de um microfilme secreto. Em face deste mal entendido, Roger acaba por se meter em diversas situações embaraçosas, acabando por ter que fugir e ter que sozinho desvendar o imbróglio deste caso intricado, um filme empolgante e que prende os espectadores. 

Terça-Feira- 2º Filme: O Desconhecido de Norte-Expresso de 1951, Sinopse: Um jovem aristocrata e psicopata Bruno Anthony encontra casualmente numa viagem de comboio, um tenista de eleição Guy Haines, ao qual Bruno nutre por ele, uma simpatia considerável ao ponto de ser seu fã e acabam por manter um dialogo frutuoso, até que ocorre a Bruno uma ideia ignóbil de propor a troca de eventuais crimes, Bruno mataria mulher de Guy, para favorecer o tenista para este poder se casar com a sua amante e Guy teria que matar o pai de Bruno, com esta teoria sarcástica, no entendimento de Bruno nunca seriam descobertos. 

Quarta-Feira 3º Filme: Chamada para a morte de 1954, Sinopse: Tony Wendice descobre que a sua noiva Margot tem um envolvimento com outro homem, então elabora um plano macabro mas ao mesmo tempo genial, para matar a sua noiva milionária, para isso chantageia Charles um antigo amigo para que este mate sua esposa. Todavia, no dia que estava marcado para que o facto fosse consumado, Margot em legitima defesa mata Charles, e Tony consegue com sangue frio e destreza, elaborar um plano B, que pode levar Margot á prisão. 

Quinta-Feira 4º Filme: Janela Indiscreta de 1954,  Sinopse: Jeffries, um fotografo profissional está retido no seu apartamento por ter partido uma perna, então gere o seu tempo a observar com um binoculo, a actividade e as incidências dos seus vizinhos, até que um dia verifica anormalidades e procedimentos fora do comum, que o fazem suspeitar de um cenário de crime. Considerado pela a critica um dos melhores filmes da obra do realizador, uns dos mais conceituados e projectados, tendo passado por diversas vezes na RTP1. 

Sexta-Feira 5 º Filme- O Falso Culpado de 1956Sinopse: Um filme baseado em factos verídicos, que casou á vitima grandes transtornos, sociais, familiares e psicológicos. Manny” Balestrero é um músico, de personalidade simplista e honesto, que trabalha no Bar Club de Nova Iorque e como a sua esposa precisa de um tratamento médico urgente, Manny dirige-se ao escritório de seguros para tentar angariar algum dinheiro, e aí depara-se com uma situação inusitada e de uma gravidade atroz, porque os empregados confundem-no com o assaltante que os roubou no ano anterior. A polícia entra em cena, e esta injustiça acaba por tornar a vida de Manny, num grande pesadelo. Um bom filme de suspense dramático, apesar de ser pouco rotulado pela critica. 

Preparados para mais uma rodada de cinema, lá chegamos ao dia de domingo, para ir assistir ao filme de Domingo, “Psico”, eu próprio já notei nos meus colegas, uma certa sintonização com estilo do realizador Alfred Hitchcock, mais optimistas em relação ao próximo filme, sem verbalizar aquelas graçolas pífias do dia anterior. Com uma banda sonora mais sinistra e aterradora, que o filme do dia anterior, que abruptamente suscitou uma declaração contundente de um dos meus colegas “Se isto for um filme de terror, vou me embora”, apreensivo com um eventual cenário de filme de terror extremo, então o filme inicia-se com uma aparente relação amorosa de um jovem casal, que depois posteriormente trocaram umas breves palavras sobre o estado do seu relacionamento. Essa jovem Marion Crane, trabalha numa imobiliária em Phoenix (Arizona), e vê a oportunidade da sua vida quando está incumbida de fazer um depósito de 40 mil dólares num banco, mas em vez de concretizar a regularização desse acto financeiro, decide apropriar se do dinheiro e fugir, numa decisão que mostra um desequilíbrio momentâneo, sem reflectir devidamente para as consequências. Desde momento que pega no seu carro para fugir, a musica do filme entre num tom sinistro, que visa objectivamente demonstrar o momento apreensivo, frenético de Marion, numa simbiose perfeita entre a filmagem do seu olhar tenso e expressivo e a banda sonora intrigante. Marion desde que começa a conduzir em direcção ao desconhecido e ao incógnito, é confrontada com algumas peripécias, que a metem em apuros e com o receio de ser capturada, designadamente á saída da cidade, numa fila de trânsito, deparando se com o seu chefe a atravessar a estrada, mesmo em frente á sua viatura, que a detêm com um olhar suspicaz e receoso, por a ver aquela hora, ao qual terá lhe causado estranheza, outro incidente ocorreu quando foi acordada sobressaltada com um policia que abordou ao amanhecer, após ter adormecido exausta depois de uma longa viagem, obviamente que o ar assustado e  angustiante de Marion, produziu na autoridade as devidas suspeitas, seguindo a durante alguns quilómetros os seus passos, mas sem nada de tangível e conclusivo, deixou a seguir viagem sem rumo certo. Com estas incidências, com o conjugar da banda sonora com uma tonalidade arrepiante e o olhar vertiginoso de Marion, o realizador mantem nos compenetrados, galvanizados e expectantes com o desenrolar do filme, até que chega o momento vital e determinante da narrativa, quando ela no meio de uma tempestade decide pernoitar no Motel Bates, um lugar decadente, que quase fechou suas portas após o desvio da auto-estrada. No Motel é recepcionada por um simpático, mas estranho e desusado  rapaz chamado Norman Bates, Norman convida Marion para degustarem uma ligeira refeição em sua casa, mas sua mãe aparentemente arrogante e pretensiosa diz que não quer que ele jante com Marion, porém eles decidem comer em uma saleta do hotel, onde trocam umas breves impressões e Norman deixa no ar um suposto eventual interesse por Marion, mais uma vez aqui Alfred Hitchcock e como sucedeu no filme no dia anterior, permite que o espectador seja mitigado e manipulado, para que seja tentado a pensar que o filme vai entrar por uma via monótona e serena, com uma musica que nos convida á letargia, propicio ao romance, e por isso vamos ser completamente apanhados desprevenidos e por nos num sobressalto emocional, quando Marion decide tomar um banho e por trás das cortinas subitamente aparece uma silhueta de uma mulher alta que impõe uma faca afiada e de forma abrupta e sem contemplações esfaqueia fervorosamente Marion, que não tem outro instinto senão gritar desalmadamente para o seu fim fatídico, com a musica do filme a trespassar da tranquilidade melodiosa, para um som tenebroso e aterrorizante, num ilustrar da perfeição de uma cena que aborda o ato violento com laivos catatónicos coadjuvado  com o definhar do leito da morte, que é chocante e terrível, mas ao  mesmo tempo indutor de uma realização brilhante, que ficou referenciado e se perpetuou na história do cinema. Perante a evidência da morte de Mary, Norman corre desenfreadamente a limpar os vestígios, ficando no ar implícito que teria sido a sua mãe a cometer o crime. Quanto aos 40 mil dólares roubados, Norman pelos vistos não deu por eles? Que tipo de relação estranha e complexa tem Norman e sua Mãe, a tal ponto de serem os grandes suspeitos de terem cometido este crime hediondo? Perguntas e questões pertinentes que indiciaram um facto notável e inusitado na narrativa, pois consegue se introduzir dois tipos de enredos diferentes na mesma historia, sendo que na primeira parte do filme tratava-se de um roubo e consequente fuga, e na segunda parte do filme tenta se descobrir um caso de crime passional, desvalorizando se o aspecto do furto em si, aspectos que são determinantes para entender a semântica de um estilo inovador e paradigmático no cinema, que me ajudou a ser um adepto indefectível de Alfred Hitchcock. 

 

Alcino Pereira  


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